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16/04/10

CORRUPÇÃO EM ISRAEL

Informes internacionais indicam que Israel figura em segundo lugar, justo detrás de Itália, no índize de corrupção institucional entre as nações desenvolvidas. Pergunto-me se têm sido injustos com Itália.

Acredito que o anterior Primeiro Ministro israeli Ehud Olmert e o exPresidente Ezer Weisman são apenas os dois altos cárregos israelis mas conspícuos no que respeita à corrupção. As evidências indicam que, quando menos, outros três Primeiros Ministros e dois Presidentes de Israel merescem também essa honra –que é o mesmo caso, provavelmente, de vários ministros de gabinete no passado recente.

Para além de carências de tipo pessoal, existe algo no sistema de Governo israeli que propicie tanta corrupção? Absolutamente!

1) Do mero facto de que em Israel a totalidade do país constitua um só distrito eleitoral deriva-se o sistema parlamentário de representação proporcional (RP). Isto move aos cidadãos votar listas de partido em vez de candidatos individuais. Uma conseqüência é que os membros da Knesset não respondem pessoalmente ante os votantes nas eleições. Este sistema eleitoral propícia a corrupção, porque os parlamentários não têm que competir com os candidatos rivais, que se vem privados assim da motivação pesoal e da responsabilidade cívica de expôr os defectos ou incompetência dos aspirantes rivais.

2) Dado o baixo umbral eleitoral (actualmente o 2%), a representação proporcional multiplica exponencialmente o número de partidos que compitem nas eleições –mais de 30 na última convocatória! Isto faz que os parlamentários estejam muito mais preocupados de cómo afecta o seu voto num tema concreto ao posto que ocupará na lista do seu partido. O seu lugar na lista do partido é obviamente cruzial para a sua carreira política sua longevidade pública. Este facto influi no seu critério à hora de afrontar temas de interesse nacional. Baste mencionar como 29 parlamentários se passaram a partidos rivais nas eleições de 1999 para obter posições de saída mais favoráveis que a que tinham na lista do seu partido.

3) Aínda mais, a RP permitiu que 23 parlamentários do Likud violassem o seu compromiso com a nação nas eleiões de Janeiro de 2003 votando a favor da “desconexão unilateral” de Gaza ao ano seguinte (duvido muito que esta traição tenha sido tomada em consideração por qualquer entidade internacional que quantifique a corrupção no mundo democrático).

4) Resulta óbvio que a multiplicidade de partidos promovida pela RP evita que qualquer partido em Israel possa ganhar com uma maioria suficiente de votos numas eleições. A formação de Governo, portanto, require uma coaligação de cinco ou mais partidos. Estes partidos rivais estám, ou tendem a estar, mais interessados no reparto do poder que no interesse nacional –tal e como David Ben-Gurion sinalou nas suas “Memórias” décadas atrás.

5) Propiciando um Exectivo formado por partdos políticos rivais, a RP socava o importantíssimo princípio democrático da responsabilidade –como vimos na debacle da 2ª Guerra do Líbano. Uns culparam ao Primeio Ministro Olmert, outros ao Ministro de Defesa laborista Amir Peretz. Virtualmente, quase ninguém, agás um servidor, culpou ao SISTEMA de representação proporcional e a sua conseqüência directa: os gabinetes governamentais multipartido.

6) Os gabinetes multipartido não só são capazes de implementar políticas nacionais coerentes. Na ausência de autênticas eleições constituíntes, a RP tende a confundir o poder legislativo e o executivo. Esta ausência de separação de poderes impede o saistema de pesos e contrapesos institucionais e dá pê à corrupção.

7) Por definição, muitos dos partidos nascidos à sombra da RP estám orientados a uns objectivos muito limitados ou parciais. Alguns partidos ganharão dois ou três escanos na Knesset, o que será mais que suficiente para decidir a aprovação de determinadas leis. Isto incrementa a possibilidade de que o voto dum partido pequeno seja comprado por outro partido maior. Se a Administração Obama teve dificuldades para comprar uns quantos votos para sacar adiante a sua legislação sanitária num Congresso formado por só dois partidos, comprar um voto ou dois numa Knesset formada por 12 ou 13 partidos é pão comido. Isso é exactamente o que fez o Governo Rabin para implementar os desastrosos Acordos de Oslo. Tudo quanto teve que fazer foi oferecer um Ministério delegado a algum parlamentário da Knesset e, talvez, um Mitsubishi.

Ora bem, para evitar máus entendidos, não afirmo que existam receitas institucionais que substituam à virtude. Tudo o que as instituições podem fazer –mas isso é demassiado- é REDUZIR o número de oportunidades que poidam dar pê a que seres humanos imperfeitos desviem ou traicionem a confiança da nação. Tenho dito e demonstrado reiteradamente, ano tras ano, que as instituições políticas israelis mimetizam velozmente os vícios humanos e, portanto, levam a níveis insuportáveis a corrupção oficial no único Estado judeu que existe. Esta corrupção, para além disso, é permeável. E incita a corrupção em todas as escalas de governo e no próprio corpo social.



PAUL EIDELBERG

18/09/09

A ONU, SUCESSORA DOS NÁZIS



No meu artigo, “O eixo do mal ONU-OLP”, lembrava que o 7 de Novembro de 1975, a ONU concedeu à OLP o estatuto de observadora na sua Assembleia Geral. Três dias depois, a Assembleia adoptava a Resolução 3376, que estabelecia um Comitê para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestiniano. Esse mesmo dia, a Assembleia adoptava a Resolução 3379 que estabelece que “o sionismo é razismo”. A resolução condeiava também o sionismo como uma ameaça para a paz mundial e a seguridade, fazendo um chamamento a todos os países a opôr-se a esta ideologia imperialista e “razista”. Uma profunda e mortífera ironia subjaz a estas resoluções.

Devemos lembrar que a ONU foi criada em 1948 como reacção ao Nazismo, que provocou a II Guerra Mundial e o Holocausto. Sem embargo, em 1975, quando a ONU dou a benvinda à OLP na sua Assembleia Geral e declarou “o sionismo como razismo”, converteu-se na sucessora internacional do Nazismo. Essa resolução foi uma declaração tácita de guerra contra Israel e o Povo Judeu. É à luz desses acontecimentos que devemos interpretar por que a ONU abriu as suas portas à OLP e, portanto, legitimou a uma potente organização terrorista juramentada na destrucção de Israel.

A OLP deveria ser vista como o esperma da ONU. De facto, foi só a partir de que se lhe concedesse estatuto de observadora na Assembleia Geral que se sucederam uma resolução tras outra –e assim até hoje- condeando a Israel e questionando a sua legitimidade. Já que os árabes não foram capazes de derrotar a Israel no campo de batalha, utilizaram à OLP e a sua presença na ONU para difamar e destruir à “entidade sionista”.

A balanza de poderes no Conselho de Diretos Humanos da ONU sustenta-se na OIC (Organização da Conferência Islâmica) –um consórcio de despóticos regimes islamistas e, portanto, uma absurda contradicção. A OIC, sinala Alex Grobman, “sustenta categoricamente que a definição de terrorismo nunca inclua ‘a luta armada para a libertação e a autodeterminação’, de modo que quando os terroristas árabes destripam judeus, judias, e às suas crianças nas sinagogas, cafetarias, pizzarias, autobuses e discotecas, seja aceitável e justificável”.


Quando Oriana Fallaci perguntou a Yasser Arafat se ele queria a paz, este replicou: “Nós não queremos a paz, queremos a vitória. A paz para nós significa a destrucção de Israel e nada mais. O que você chama paz é a paz de Israel…Para nós é vergonha e injustiza. Combateremos até a vitória. Embora leve décadas e gerações, se é preciso”. Isto acha-se em perfeita sintonia com o ethos yihadista que alimenta o Islám –e não esquezamos que o Islám constitui o bloco maioritário de Estados na ONU.

Nenhum bloco semelhante de Estados existe na ONU. Como sinala Bernard Lewis, não existe um bloco de Estados budistas ou cristãos que se reúnam e decidam acções comuns na ONU. Pelo contrário, “uns 55 Governos muçulmãos, que incluim monarquias e repúblicas, conservadores e revolucionários, partidários do capitalismo e discípulos de distintas correntes do socialismo, amigos e inimigos dos EEUU, e exponhentes dum amplo espectro de países supostamente neutrais, têm edificado um elaborado aparelho de coordinação internacional e, nalgumas ocasiões, de cooperação. Celebram regularmente conferências internacionais e, para além das diferências de estrutura, ideologia e políticas, têm logrado um significativo nível de consenso e agir comum.

Dado o poder do bloco islamista na ONU e a rede mundial do islamismo através da predicação da yihad e o ódio contra a civilização occidental desde as mesquitas –ódio face Israel e os EEUU em particular-, não só é absurdo e cómico senão desmoralizador e autodestrutivo para os EEUU e Israel permanecer na ONU.

Em 1975, o Senador Patrick Moynihan, Embaixador dos EEUU na ONU, argumentou que o seu país devia permanecer na oposição dentro de dito organismo. Pelo contrário, o jornalista Charles Krauthammer afirmou que a ONU não servia para nada e que os EEUU devia deixar que esmorecesse. Permanecendo na ONU, EEUU e Israel socavam aquilo que é mais necessário nesta era de nihilismo: a claridade moral.

A claridade moral é especialmente precisa contra o Islám, que Bat Ye’or denominou “cultura do ódio” –e que, por essa razão, debe ser mais bem denominada “cultura do mal”. Que mais se pode dizer sobre Iran, a potença emergente do Meio Leste, que proclama a “morte dos EEUU” e a “morte de Israel”? Que mais pode ser dito de Arábia Saudi, que financia grupos terroristas para que levem a cabo essas maldições? A ONU tem-se convertido numa promotora dessa forma de Mal, e que em modo algum contrapesa a existência dalguma anônima agência sob o seu mandato que combata a pobreza e a enfermidade nalgum lugar de África, quando não têm sido capazes de contribuir a rematar com o conflito intertribal no continente.

Pensemos na UNRRA, A Agência de Ajuda e Reabilitação das Nações Unidas. Esta entidade tem perpetuado o confinamento dos árabes em campos de refugiados que se têm convertido em avispeiros do terrorismo, e que a propaganda palestiniana utiliza para magnificar o ódio face Israel.

Doutra banda, a UNFIL, Força de Interposição no Líbano das Nações Unidas, têm colaborado com Hezbolá. Hezbolá armada com milheiros de mísseis de Iran procedentes via Síria, tem tomado o controlo de facto no Líbano. Em vez de servir à causa da paz, a UNIFIL contribui a promover os ataques de Hezbolá contra Israel e a Segunda Guerra do Líbano que estalou em Julho de 2006. O qual significa que a ONU, no nome da paz, procura continuar a causa genocida do Nazismo: a destrucção de Israel.


Sou incapaz de discernir a diferência entre a ONU e a OLP numa negociação com Israel. Quando Arafat admitiu ante Oriana Fallaci que “a paz significa para nós a destrucção de Israel e nada mais”, estava fazendo explícito o que é implícito na declaração da resolução da ONU “o Sionismo é Razismo”. Que outra coisa significa esta declaração de guerra contra o Sionismo senão a eliminação de Israel? Não resulta óbvio que a eliminação de Israel é a “Solução Final” ao “Problema Judeu”, o objectivo genocida da Alemanha Názi?

Embora a resolução “Sionismo é Razismo” foi rescindida pela ONU, “rescindida” é só uma palabra num trozo de papel. Mas para aqueles que têm olhos para ver, o objectivo genocida dessa resolução permanece como objectivo fundamental da ONU –se não como a sua razão de ser. A ONU nunca tem promovido a paz, nem a seguridade colectiva; não tem promovido ou protegido a liberdade e os direitos humanos; em ressumo, a ONU é o inimigo dos próprios fins para os que foi originariamente fundada. A ONU é um pestilente e nocivo fracasso.

Daí que pense que é intelectualmente deshonesto que uma nação decente permaneça nessa guarida de iniquidade. E acredito que entre todas as nações, Israel deveria tomar a iniciativa de abandoar essa organização, cujas resoluções ánti-semitas têm motivações de tipo názi.

Que poderia perder Israel dando esse passo? Desde logo não a sua legitimidade. A fim de contas, a ONU, justificando os ataques do terrorismo palestiniano contra Israel, e denunciando as represálias de Israel contra esses ataques, tem já negado –de facto- a legitimidade de Israel como Estado soberano. Na realidade, é a ONU quem é ilegítima. As inumeráveis resoluções da ONU condeando a Israel duma banda, mentres nunca condeia os atentados árabes contra Israel pela outra, viola a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. Considerem-se os seguintes artigos da devandita Delaração:

Artigo 1: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Gozam de razão e conciência e devem agir entre sim com um espírito de irmandade”.

Artigo 2: “Todo o mundo fica sujeito aos direitos e liberdades desta Declaração, sem distinção de tipo algum, como a raza, cor, sexo, língua, religião ou opinião política, orige social ou nacional, propriedade, nascimento ou outro estatuto…”.

Artigo 3: “Todo o mundo tem direito à vida, a liberdade e a seguridade pessoal”.

Artigo 30: “Nada desta Declaração será interpretado como implícito a Estado algum, grupo ou pessoa”.

Que poderia ganhar Israel abandoando a ONU e promovendo o estabelecimento uma União de Nações dos Estados democráticos comprometidos com a paz, a prosperidade e a dignidade humana –assim como com a ajuda a que as nações mais desfavorecidas alcanzem esses objectivos? Israel seria fidel à sua missão: promover a claridade moral e, portanto, cnverter-se num faro de luz entre o gênero humano.


PAUL EIDELBERG