12/10/09

O PONTO CRÍTICO DO PROCESSO DE PAZ



Benção àquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós. Benção àquele que te arrebatar os filhos e bater com eles no rochedo” (Salmo 137).


Em que medida é provável alcanzar a paz com os palestinianos a curto prazo? A paz é impossível. Nenhum Governo palestiniano à vista será o suficientemente forte como para manter a raia às cisões de grupos insurgentes, especialmente agora que estamos contemplando um significativo incremento da actividade terrorista de base. Hamas tem-se decatado de que é incapaz de evitar que terroristas isolados sigam disparando morteiros contra Israel, e forzar a “paz” no mais extenso e aínda mais aberto West Bank semelha aínda mais improvável.

O terrorismo não se deterá por sim próprio. Inclusso se os palestinianos de súpeto se convertessem em gente próspera, muitos de eles seguiriam embarcados na empresa terrorista. Em todas as economias primitivas, a afluência repentina de riquezas incrementa a disparidade econômica, e no estádio actual do desenvolvimento económico palestiniano não seria senão um motivo mais de desputas –e Israel é a via de escape mais idônea para o descontento árabe.

A que se debe que Egipto puidesse forzar no seu dia uma paz e Palestina não possa? Egipto só está “pacificado” até um certo ponto: os seus Islamistas apoiam sem reservas aos insurgentes de Gaza. Ao igual que em todos os anteriores períodos de entre guerras, os egípcios lutam contra Israel através dos combatentes palestinianos envez de fazê-lo directamente. Nesse sentido, o tratado de paz com Egipto não trocou nada. Aínda mais, Egipto é uma sociedade desenvolvida cujos habitantes têm estado submetidos ao poder central durante centos de gerações. Contrariamente a eles, os palestinianos carecem duma cultura da submissão e da obediência à lei. Nesse aspecto, lembram aos anárquicos afganos.


Replantejemos, portanto, a questão: em que medida é provável alcanzar um tratado de paz com os palestinianos a curto prazo? Tal tratado dependeria dum acordo com Síria. Sem paz com Síria, Assad continuaria apoiando aos terroristas palestinianos, impedindo que as coisas se calmassem. Mas Assad, com bastante sensatez, insiste na estratégia “Palestina primeiro”. Sabe que não pode artelhar uma paz minimamente duradeira com Israel mentres o tema palestiniano esteja fervendo, porque Síria tem muitos refugiados palestinianos –dos que se está desejando desfazer. Sem uma paz Palestina-Israel, esses refugiados poderiam rematar sendo um problema enorme para Assad se quigesse asinar por separado um tratado de paz com Israel. Um tratado de paz simultâneo com Síria e os palestinianos seria um trago demassiado amargo para Israel: inclusso os esquerdistas entrariam em shock se tivessem que entregar os Altos do Golan, Judea e Jerusalém simultaneamente.


Logo está a iniciativa de paz dos saudis, que em teoria poderia fazer que as concessões israelis merecessem a pena. Mas a paz com todos os árabes é insignificante se Iran não asina também a paz –algo ao que os ayatolás são claramente pouco propensos. Se Israel bombardeasse os seus reactores nucleares, Iran rechazaria a paz; mas, doutra banda, se Israel permitir que Iran possuísse bombas atômicas, os ayatolás não teriam razão alguma para asinar a paz com os Sionistas.

Todas estas conjecturas são discutíveis, dado que Israel se acha ao borde da maior das capitulações. Os tratados de paz podem ser preparados e impulsados através da Knesset em coisa de meses. O Governo de Netanyahu terá que fazer as coisas mais desagradáveis: não por acaso as retiradas do Sinai, Hebron e Gaza foram perpetradas por Governos de direita. Os esquerdistas nunca ganharão uma maioria suficiente na Knesset para esse tipo de componendas, dado que a direita e os partidos religiosos oponheriam-se a eles como questão de princípios. Ao igual que os EEUU pressionaram a Netanyahu para que se retirasse de Hebron, podem fazer agora para forzar outras concessões. Como em Hebron, o establishment esquerdista israeli pode fazilmente forzar os acontecimentos inventando-se algumas atrozidades das IDF ou dos colonos, que “obrigariam” a Netanyahu a fazer concessões a fim de limpar a image de Israel ante a judeófoba opinião pública mundial.

Mas as perspectivas para uma capitulação israeli semelham inusualmente vagas. Havia uma grande necessidade de asinar alguma espécie de tratado de paz com Egipto: as guerras provocaram uma grave fendidura na economia, na vida e na moral israelis. Quando informou das suas negociações com Sadat a Carter, Begin era um anciano a ponto de jubilar-se na perspectiva de não presenciar mais guerras. Isso não justifica que entregasse a Terra de Israel, mas seria, se se quer, uma razão de certo peso. As retiradas do Líbano e Gaza, errôneas como foram, resolveram o urgente problema das baixas massivas entre o pessoal das IDF, que se converteram em patos de feira nos que fazer tiro ao branco as guerrilhas terroristas. No caso de Jerusalém e Judea, porém, não se dá nenhuma urgência semelhante.

Conforme passa o tempo e o domínio árabe da Galilea e o Negev afianza-se, os dirigentes palestinianos deixarão de vê-las como territórios israelis. No 2008, Abbas rechazou a oferta de Olmert, que abarcava inclusso o Monte do Templo. Conceder o mais mínimo território ao Judeu é contemplado pela causa palestiniana como a mais alta traição. As cada vez maiores concessões de Israel faz que as coisas aínda vaiam pior: os palestinianos digirem as anteriores concessões e seguem pedindo outras novas. A pouco tardar, não admitirão que haja judeus em Tel Aviv.


Os israelis acham-se com a espalda contra a parede: palestinianos e sírios têm ido demassiado longe com as suas demandas. Todo o mundo, agás alguns progres passados de rosca, detestam a ideia de abandoar os Altos do Golan, o Lago Kineret, a Cidade Velha de Jerusalém e o Monte do Templo. Os israelis estám visivelmente molestos –o resultado lógico da pressão desmedida dum inimigo muitíssimo mais débil. A guerra de Gaza foi reveladora: as tropas israelis combateram com autêntico enfado, gozando de carta branca dos mandos das IDF. Hamas tem muitos pontos positivos, mas tal e como o vem os israelis, por grandes que sejam as suas concessões não suporão a fim do terrorismo. E a crise económica encarregará-se de exacerbar o ódio.

O processo de paz tem-se prolongado demassiado no tempo e ficará convertido em ruínas com suma fazilidade. As expectativas sírias e palestinianas são tão extralimitadas que não aceitarão tratado algum que não inclua o Monte do Templo e o Lago Kineret. Os judeus, em conseqüência, não tem necessidade de estar permanentemente opondo-se aos movimentos face a “paz”. Não temos necessidade de argumentar e discutir com os esquerdistas e os mass media respeito a se convém ou não entregar Judea e Samária aos árabes. Imaginade por um momento que aceitassemos tamanhe atrozidade. O bastante como para concentrar os nossos esforzos contrários ao processo de paz na Cidade Velha de Jerusalém e o Lago Kineret. A imensa maioria dos israelis estám dacordo connosco nesses dois pontos.

Se logramos construir um consenso nacional contra a retirada da cume da nossa conciência nacional, os palestinianos rechazarão qualquer acordo.

Contudo, o preferível será que se revoltem bravamente e nos brindem assim uma razão politicamente aceitável para expulsá-los deste país.


OBADIAH SHOHER

O ENTORNO POLÍTICO DA NOBEL ISRAELI



Bem, o lixo político sobre a última Nobel israeli comeza saír à luz. A ganhadora do Prémio Nobel de Química, que faz chamamentos a libertar milheiros de terroristas convictos e assassinos a câmbio de nada –por que “isso é o que se deve fazer”-, é um exemplo perfeito de que um pode ser um gênio nalguma faceta da vida, e, à vez, um insuperável estúpido politicamente falando.

Ada Yonath é curmã da judeóboba ánti-israeli e defensora do terrorismo a tempo completo, Ruchama Marton. Uma ultraesquerdista e ánti-sionista co-autora dum “livro” com Neve Gordon [nota: ”Tortura: Direitos Humanos, Ética médica e o caso de Israel”]. Feminista radical tem impartido aulas, como não, na Universidade Ben Gurion. Junto com Gordon esteve entre as fundadoras da ONG de propaganda ánti-israeli Físicos Israelis pelos Direitos Humanos – grupo que anos atrás foi condeado por distribuir caricaturas ánti-semitas; uma ONG que considera que os judeus não têm direito a desfrutar de direitos humanos, mas os árabes têm o direito humano de assassinar judeus. Como o seu co-autor, tem-se labrado a sua carreira a base de escrever carnaza para a propaganda occidental ánti-israeli. Tem escrito sobre o terrorismo no conflito do Meio Leste –afirmando que é Israel quem exerce o terrorismo, por suposto.


Enfim, que a mazá do Nobel tem caído, com verme e todo, da árvore familiar.


STEVEN PLAUT

SHOÁ OU SINAI?



O assassinato em massa de um terzo da Judearia mundial foi um dos mais traumáticos sucessos da história judia, um evento que praticamente borrou na sua totalidade a presença judia no Leste europeu. É um facto que não tem paralelismo na história, e que permanece como récord absoluto da infâmia pela sua absoluta insuperabilidade, a profundidade do ódio e o nível de horror e atrozidade perpetuado pelo Homem com ajuda da tecnologia moderna. No período posterior à carnezaria do Holocausto, os superviventes chegaram aos EEUU e à Terra Prometida com a firme determinação de reconstruir a vida que fora cruelmente segada. Desafiante, o Estado Judeu surgiu unido ao berro de “Nunca mais!”. A promesa de que o sangue judeu nunca mais seria derramado docilmente, de que os judeus não voltariam sofrer em silêncio, de que teriam o poder suficiente como para defender-se por sim próprios.

Conforme passaram os anos, muitos judeus perderam a sua vinculação com o Judaísmo, embora a emoção seguisse aflorando quando a lembranza do Holocausto comovia os seus corações e sentimentos. Para os israelis, arrodeados por um mar de nações hostis determinadas a destruir o Estado Judeu, o espectro do Holocausto mantem-se a flor de pele. O Estado de Israel, segundo muitos, é o seguro de vida do povo judeu no caso doutro Holocausto. Para os judeus norteamericanos, o sofrimento e pesares dos seus compatriotas europeus é um signo de identidade. Andam inclusso à caza de signos dum iminente desastre, de brotes de ántisemitismo, resoltos a não volverem ser colhidos com a garda baixa.


Para muitos judeus, o Judaísmo é um sinônimo de Holocausto. O Holocausto ocupa uma significativa parte do currículum nas escolas judias. Para aqueles que carecem, ou têm uma escasa, educação judia, a sua primeira emoção “judia” é freqüentemente a visita ao Museu do Holocausto. Em cada celebração judia na que participam, seja o ocassional “servizo no Templo”, a bar mitzvá ou qualquer outra celebração, o Holocausto sempre é mencionado e comemorado. Uma novedosa (e aterradora) prática está surgindo nalgumas cirimónias de bar mitzvá, onde os rapazes são “emparelhados” com rapazes mortos durante o Holocausto que não tiveram a ocasião de celebrar o seu bar mitzvá.

A transformação do Judaísmo num culto de celebração do Holocausto deveria repeler e impresionar a qualquer judeu observante. É a fórmula perfeita para o derrotismo e a assimilação, na medida em que o Judaísmo converte-se em algo negativo, associado ao ántisemitismo e a tragédia. O Holocausto não proporciona razão alguma a um judeu desconectado para seguir sendo judeu, para casar com alguém judeu e levar uma vida judia; só sentimento de culpabilidade. O Holocausto não nos ensina nada sobre o Judaísmo, sobre a sua beleza e a profundidade da sua doutrina espiritual, ou a intensidade do seu legado moral.


De modo semelhante aos seus colegas dos EEUU, muitos israelis acreditam que o Estado de Israel existe só devido ao Holocausto. Todos e cada um dos delegados estrangeiros do que seja são levados a visitar Yad VaShem para que sejam testemunhas da destruição dos judeus de Europa (e a mensagem subliminal é que essa é a alternativa de Israel ao combate). Mas é neste clima que o ditador de Iran, assim como muitos outros educados e sofisticados árabes, negam o Holocausto com impunidade, acreditando que sem o Holocausto, a totalidade do edifício sobre o que se sustenta o sionismo colapsará.

A memória dos 6 milhões de sagrados judeus assassinados no Holocausto debe ser perpetuada e lembrada. Sem embargo, deve ser recalcado bem clarinho que Yad VaShem não é Israel e Auschwitz não é o Judaísmo. Houvo judaísmo antes de 1939, e aquela persecução e opressão não têm por que ser parte integrante da nossa identidade. O Estado Judeu não existe devido ao Holocausto, senão a pesar de ele.

O núcleo do Judaísmo é, e debe ser por sempre, a revelação pública do divino no Sinai, e o pacto eterno entre o Povo Judeu e D’us. O Judaísmo radica no facto de D’us ter-se revelado a Sim próprio diante de milheiros de pessoas no Monte Sinai, e de ter entregado ao povo de Israel a Sua Torá, o manual de instrucções de D’us para a vida cotidiana, uma guia para uma vida de bondade, benção e significado. Todos e cada um dos judeus estám ligados a estes mandamentos e ditados, e devem seguir os seus preceptos e ensino. Vivendo conforme às leis da Torá, o judeu alcança a santidade e faz-se merescedor de D’us. É esta crença o que manteve aos judeus fortes a pesar dos séculos de terríveis condições. Quando a sua situação puido ter sido aliviada através do baptismo, a conversão ou a assimilação, eles aferraram-se aínda mais forte à sua Torá e o seu D’us. Isso é o que evitou que os judeus desaparecessem entre o resto das nações: que o Seu D’us falou-lhes desde o Fogo e vencelhou-se a eles mediante um contrato imperecedeiro.


O nosso direito à Terra de Israel procede do Sinai –e não da Conferência de Wansee. O mesmo D’us que proclamou aos Filhos de Israel: “Eu sou o Senh’r, o vosso D’us”, prometeu-lhes a Terra de Israel. Pela Sua palavra, o Povo Judeu entrou na Terra e conquistou-na. Pela Sua palavra foram exilados tras rebelar-se contra os Seus mandamentos, e pela Sua palavra estám retornando a reclamar a herdança roubada. Baseando o direito à existência de Israel no Holocausto, estamos dando a oportunidade a Ahmadineyad de perguntar retoricamente por que não compensam os alemães aos judeu entregando-lhes terras onde construir um Estado. Se Israel só é um território para judeus perseguidos, não há razão alguma para que os árabes devam sofrer pelos crimes cometidos pelos europeus. Israel funda a sua legitimidade no Sinai e o Estado moderno é simplesmente a continuação dos Reinos de David e Salomão,  da dinastia Hasmonea, retomada tras um parêntese de 2.000 anos.

A ideia nuclear do Estado de Israel não pode ser meramente um desafio a Hitler e a Solução Final. O Holocausto deverá ser sempre lembrado, e cumpre lutar para evitar que volva ocorrer, mas não pode ser o ponto arredor do que gire um Estado Judeu. Para acalar aos nossos críticos e a quem nos ódia, devemos abrazar as nossas raízes mais profundas na Terra, e reafirmar o nosso compromiso com os valores do Sinai. Yad VaShem não deveria converter-se na primeira e única parada obrigatória dos diplomáticos estrangeiros, senão apenas uma de tantas, que amosasse a complexidade da história judia, os altos e baixos do nosso povo. Os diplomáticos deveriam ser conduzidos a Jerusalém, a capital reconstruída da nação judia, da que os nossos ancestros se laiavam quando na sua cautividade clamavam: “Se eu te esquecer, oh Jerusalém, que a minha mão direita perda a sua destreza!”. Deveriam ser levados a Hebron, o fogar e lugar onde repousam os restos dos nossos Patriarcas Abraham, Isaac e Jacob. Deveriam visitar Masada, onde os bravos guerreiros judeus sacrificaram as suas próprias vidas antes que ser tomados como escravos pelos romanos. Deveriam visitar a Sinagoga e as yeshivot da Cidade Velha, para demonstrar-lhes que o Judaísmo tem volto a casa, ao seu lugar de nascimento.

O legado do Sinai levaria-nos a ser uma Luz entre as Nações, no combate pela liberdade, os direitos humanos e a dignidade. O Holocausto e os seus horrores só podem ser entendidos através do esquema tradicional do Judaísmo. Por sim sós, não nos proporcionam nada de valor sobre o que seja o Judaísmo, e não nos dam direcção, sentido ou significado algum. Só abrazando o Sinai podemos ter a esperança de construir uma sociedade baseada na moral, na ética e nos valores da santidade. É o Sinai quem pode transferir energia às apáticas massas, revigorizar à desconectada juventude judia. A Torá, e não as Leis de Nuremberg, será quem detenha a marea de assimilação e olvido espiritual. Dar-nos-á a coragem para combater pela nossa Terra, e a fortaleza para não nos submeter e pedir desculpas ante os que nos ódiam. O Sinai é o coração autêntico do Judaísmo.



BAR KOCHBA

A GUERRA RESOLVE-O TUDO



Dando o outro dia um passeio por uma vila europeia, tropezei com uma manada de pacifistas perto da catedral local que portavam cartazes de “A guerra não resolve nada” e “O terrorismo não remata através da guerra”.

Embora, como era previsível, os meus intentos de disuadi-los foram fúteis, a discusão em sim própria foi curiosa. Em certo modo estavam no certo: as guerras nunca têm evitado novas guerras e não podem evitar que exista o terrorismo. Mas, como sinalou Keynes, “a longo prazo, todos mortos”. Fixar-se metas muito remotas no tempo anula qualquer solução, porque as medidas actuais terão muito escaso impacto nos sucessos vindeiros. A guerra contra os Talibães não afectará em nada aos terroristas alemães, por ponher um caso, que accionem dentro dum século. Nada o fazerá.

A longo prazo, não existem soluções: qualquer guerra fracassa na consecução duma paz eterna –mas outro tanto podemos dizer de todos os tratados de paz asinados até o dia de hoje.

França e Alemanha entablaram uma guerra poucos anos depois de terem asinado um tratado de paz, e volveram asinar um tratado de paz tras combater. As guerras não resolvem nada?, digamos que não: mas a paz também não resolve nada; a longo prazo, nada resolve nada.

Mas tomando prazos razoavelmente curtos, as guerras são indiscutivelmente efectivas: os alemães foram detidos mediante a guerra –e outro tanto podemos dizer dos árabes em múltiples ocasiões. A guerra israeli contra o terrorismo palestiniano deteve as duas Intifadas. A paz, doutra banda, não câmbia nada, e apenas formaliza os factos estabelecidos pela guerra. Depois de que os alemães fossem absolutamente derrotados, a paz chegou sem necessidade de asinar tratado de paz algum. Depois de que Israel derrotasse a Síria, chegou a paz sem necessidade de tratado de paz algum.

A guerra câmbia os cenários, e “paz” apenas é o nome do câmbio resultante.


OBADIAH SHOHER

ESTA MULHER É IMBÉCIL



Ada Yonath, flamante Prémio Nobel israeli deste ano na categoria de não-sei-que, afirma numa entrevista com a Rádio das IDF que não entende “por que Gilad Shalit está em poder dos seus seqüestradores”. A mesma eminência sustenta que a totalidade dos 11.000 terroristas palestinianos deveriam ser postos em liberdade, dado que não acredita que 10.000 terroristas encarcerados mais ou menos tenha relação directa com que haja mais ou menos violência. E assim.

Como mínimo dá asco.

11/10/09

BARBÁRIE ISLÂMICA E CUMPLIZIDADE PROGRE



Venho de lêr um texto muito recomendável: “Mutilzação genital feminina, Islám e o silêncio da esquerda”, publicado por Jamie Glazov na Frontpage Magazine. Trata-se dum perturbador artigo sobre uma prática aínda mais perturbadora, a selvagem forma de cirurgia amateur conhecida como mutilação genital feminina. Para quem não o saiba, este primitivo rito religioso/cultural é muito popular na maioria do mundo islâmico –incluídos Jordânia e Egipto. Outra típica mostra de cómo os progressistas têm um sentido selectivo do que é escandaloso moralmente, quando tem a ver com o Islám.

Estas seriam algumas das pautas gerais para tratar de entendermos a hipocresia do código moral da esquerda. Os progres acreditam que:

  1. Só os brancos são razistas.

  1. Todos os brancos são razistas.


  1. Os negros não são capazes de cometer crimes de ódio. Inclusso quando uns negros lincham um judeu nas ruas de Crown Heights, ou prendem lume a um homem branco, não se trata dum crime de ódio.

  1. Os homens são violentos. Ter testículos implica que deves refrear constantemente o desejo de violar e golpear mulheres.


  1. O Governo  tem a obriga de arrebatar as armas dos cidadãos amantes da lei, e estimular que poidam praticar-se abortos de seres completamente desenvolvidos.

  1. A violação de crianças é aceitável se formas parte da decadente e auto-indulgente elite hollywoodiense.


  1. Os assassinos em série que liquidam famílias inteiras, mas que depois se adicam a escrever contos para rapazes em prisão, merescem evitar a cadeira eléctrica.

  1. A pena de morte é razista e imoral –agás que se aplique aos fetos que ameazam com complicar a vida da mãe potencial com toda sorte de responsabilidades.


  1. O Governo tem a obriga de expandir um sistema universal de saúde de tipo socialista. A exclussiva modalidade de cuidado aos ancianos do prestigioso Dr. Kevorkian só seria accesível mediante petição (como na TV por cable). Infanticídio. Gerontocídio. Isso sim, proibiriam-se os pesticidas.

  1. O Islám é uma religião admirável (e é razista pedir-lhes que nos proporcionem algum exemplo desta afirmação).


  1. A escravidão é má quando é cometida pelos brancos. A escravidão do mundo árabe/islâmico –que persiste normalmente hoje em dia- é algo totalmente distinto, que não debe ser julgado desde o prisma da olhada occidental.


  1. A ONU é uma instituição elevadamente moral encomendada a bla, bla, bla.


  1. Um Presidente negro não pode ser estúpido por definição (sem importar que realmente seja muito estúpido). Do mesmo modo, um Presidente negro não pode ser razista nem ántisemita (sem importar todas as vinculações que tenha com razistas ou com elementos ántisemitas). Se sustentas o contrário, é que es um razista.

  1. A violação e o adultério são máus, agás que sejam cometidos por algum antigo Presidente com cara de porco que –por alguma razão inexplicável é a querida dos progressistas, a pesar de oito anos de incompetência e negligência.


  1. Iran não é uma ameaza para o mundo. O problema é Israel.

  1. Israel não tem direito a proteger-se. Não conduziria a nada e só entorpeceria o “processo de paz”.


  1. A violência sempre é negativa, agás quando é perpetrada pela esquerda. Ou pelos “combatentes pela liberdade” que não têm outra opção que fazerem-se detonar embutidos em explossivos no meio de passeios ou centros comerciais.



DANIEL BEN SHMUEL ISRAEL

ESPAÑA ELIGE SUS BOICOTS



En un reciente artículo [“El vampirismo contemporáneo”, El Catoblepas, Fev. 2009] hemos enumerado algunos criterios para desenmascarar la judeofobia subyacente en las «críticas contra Israel». Uno de ellos es revelar la porfía en condenar a un solo país, soslayando cualquier violación de derechos humanos no atribuible a la nación hebrea.

La obsesión opera tanto en el plano individual como en el de la política internacional. A modo de ejemplo del primero, permítaseme mencionar que a principios de marzo de 2002, quien escribe estas líneas fue invitado a disertar a una universidad tarraconense, cuyo decano, Enric Olivé Serret, exhibió delante de los estudiantes una hostilidad tan visceral que no se habría propinado a huéspedes de ningún otro país. El judeófobo no repara en que guarda para Israel una antipatía que no tiene parangón.

En el plano internacional, el síndrome acaba de confirmarse con una decisión del gobierno español. No ha boicoteado a Ahmadineyad, quien niega el Holocausto y exhorta a borrar a Israel; que decapita a homosexuales y reprime a sus ciudadanos; que esparce el terrorismo por el mundo y discrimina a mujeres y a minorías.


Durante el discurso del tirano en la ONU (23-9-09) la delegación de España optó por no sumarse a las ausencias de Alemania, Argentina, Australia, Canadá, EEUU, Francia, Gran Bretaña, Holanda, y varias naciones más, que con su gesto honraron la misión original de la ONU. España no. Permaneció en respetuoso silencio ante las belicosas diatribas que profería el iraní.

En lugar de oponerse a Ahmadineyad, con quien mantiene un «diálogo de civilizaciones», España emprendió un boicot contra una institución académica israelí (huelga aclarar que no boicotearía la universidad de ningún otro país).

En efecto, a fin de septiembre pasado, el Ministerio de Construcción y Vivienda español decidió expulsar a la Academia de la ciudad de Ariel, de una competencia internacional sobre arquitectura, energía y medio ambiente.

El motivo aducido fue que la ubicación cartográfica de Ariel la encuadra dentro de «territorio palestino ocupado». Si prestara atención a la geografía, la ministra Beatriz Corredor Sierra notaría que la Universidad Hebrea de Jerusalén también está ubicada en un territorio reclamado por los palestinos, por lo que tampoco sería posible dialogar con la principal universidad israelí.

Y que si se trata de interferir políticamente en el mundo académico, no cabría que instituciones de Ceuta participen cuando Marruecos las acuse de «ocupación», como España por Gibraltar, Argentina por las Malvinas, Venezuela por Guyana, y así otras decenas de conflictos políticos que precisamente deberían dejar inmune a la vida académica –aun si se trata de excluir al judío de los países.

Si la ministra Corredor prefiriera atender a la historia en vez de la geografía, aprendería que los «territorios palestinos» no están ocupados sino disputados, ya que jamás no hubo sobre ellos una soberanía árabe palestina –porque nunca hubo Estado palestino, y ello debido a la negativa del liderazgo palestino de establecerlo.

Si, alternativamente, el énfasis en las consideraciones se hubiera puesto en la naturaleza de las negociaciones políticas, también se habría impedido el boicot español. Obviamente la solución a un conflicto no puede ser dictada desde afuera, y en nuestro caso las fronteras definitivas entre el Estado judío y el Estado árabe que naciere deben ser el resultado de las negociaciones directas entre las partes, y no de los asertos a priori del PSOE.

Y si en lugar de geografía, historia o política, la ministra se hubiera inclinado por la ética, habría reparado en que Ariel presentó hace dos años su proyecto al certamen «Solar Decathlon», que el mismo fue aprobado debido a su calidad, y que por lo tanto la institución israelí, que quedó entre los finalistas, no debe ser expulsada en la mitad de la competencia sólo porque un político de turno se inclina por el boicot.

Con éste, España ha excluido no sólo a una universidad israelí de 10.000 estudiantes (muchos de ellos árabes) sino a un proyecto cultural y científico cuyo objeto es mejorar el medio ambiente, previsiblemente cuestionado por grupos intolerantes que jamás contribuyen en nada al medio ambiente, ni a la arquitectura, ni a nada que no sea demonizar a su adversario.

Lo que más ha castigado la ministra con su decisión es la posibilidad de una paz real en Oriente Medio, y lo ha hecho por medio de retrotraernos a un diagnóstico perimido.


Hay tratados de paz que matan


2009 ha demostrado nuevamente las causas reales del conflicto en Oriente Medio. Por lo menos, durante estos meses se ha refutado fehacientemente que el origen de la guerra no es «la ocupación» ni la supuesta «opresión» de los árabes palestinos.

Para percibirlo, basta una breve ojeada de la historia reciente.

En septiembre de 1993 se firmaron los acuerdos de Oslo. Al respecto, Daniel Pipes ha enumerado las condiciones de los palestinos hasta ese momento: vivían en relativa paz bajo el imperio de la ley y el desarrollo económico, con escuelas y hospitales que funcionaban, viajando sin alambradas ni puestos de control, inaugurando sus siete universidades, y con el terrorismo en baja.

Los acuerdos de Oslo entre Israel y Arafat no granjearon a los palestinos paz ni prosperidad, sino tiranía, pobreza, corrupción, el culto de la muerte, fábricas de suicidio, y radicalización islamista –generaron un verdadero feudo de odio.

Paralelamente, los israelíes sufrieron la peor ola de atentados de su historia. Aunque la mayoría de los medios españoles no lo notaran, durante ese lustro fueron asesinados centenares de israelíes, más que en los tres lustros precedentes.

El motivo de la exacerbación del terrorismo fue que los palestinos, apoyados por las diversas recetas europeas para la paz (recetas que anunciaban de antemano lo que iban a obtener a cambio de nada), sintieron que cabía lanzarse a baños de sangre porque la destrucción de Israel era asequible. Así, cada concesión israelí agravaba su hostilidad.

El imán palestino Mohsen Abu Ita anunciaba por televisión que «la aniquilación de los judíos de Palestina es la más espléndida bendición», y el legislador Fathi Hamad declaraba en conferencia de prensa que «un palestino que mata a un judío será premiado como si matara a treinta millones», para luego admitir abiertamente que «los palestinos formamos escudos humanos con mujeres, niños y ancianos para mostrarle al enemigo sionista que deseamos la muerte tanto como ellos desean la vida».

Pero Europa no escuchaba, y exigía más concesiones de Israel, sin detenerse en que los objetivos de los dos contendientes eran incompatibles: Israel luchaba para vivir; sus enemigos -para que Israel no viva.
La raíz del conflicto está hoy en día más clara que nunca: es la negativa a aceptar un Estado judío y democrático, rodeado como está de dictaduras árabes.

Los palestinos no están actualmente menos «oprimidos» que antes, pero han reducido su violencia porque sienten menos que el fin de Israel es inminente. En ese sentido, el boicot español a una universidad hebrea los estimula a regresar a un pasado que fue derrotado.


GUSTAVO D. PEREDNIK

YONATH, UMA SEMVERGONHA DE ESQUERDA MAIS



Quando os mass media israelis aínda estavam salivando pela adjudicação dum novo Prémio Nobel a uma científica do país, Ada Yonath, alguns reprimimos a ânsia de unir-nos ao show tras um primeiro vistazo ao seu aspecto ultraesquerdista –típico, doutra banda, da maioria dos acadêmicos israelis.

Numa entrevista com a Rádio do Exército, Yonath exigiu que Israel ponha em liberdade aos seus colegas palestinianos, 11.000 terroristas nem mais nem menos. Segundo esta chiflada, se os pomos em liberdade, os palestinianos perderiam o incentivo de seguir atacando-nos.

Evidentemente, o Prémio Nobel não é concedido em função da competência no campo da lógica, já que então Yonath deveria perguntar-se primeiro por que os palestinianos já se adicavam a assassinar-nos antes de que o primeiro dos seus terroristas aterrizasse num cárcere israeli.

10/10/09

OBAMA UNE-SE A ARAFAT


Assombrosamente, Obama recebeu o Prémio Nobel da Paz. O próprio prémio já é ilegal, dado qe não figurava incluído no testamento de Alfred Nobel. Obama recebeu o prémio baseando-se meramente em dez dias do seu labor presidencial, pois a nominação foi enviada antes do 1 de Fevereiro de este ano.

O Comitê dos Nobel alabou a utopia de Obama dum mundo sem armas nucleares –mas essa proclama foi feita por Obama apenas há duas semanas no encontro do Conselho de Seguridade da ONU. O Comitê deveria evaluar as nominações no momento de serem propostas, e não utilizar sucessos posteriores para maquilhar ou engordar as credenciais dos nominados.

O prémio é também ilegal porque segundo as actuais directrizes só se prémiam os logros na consecução da paz –e não as meras declarações de boas intenções.

Obama recebeu o prémio também pelos “seus esforzos por fortalecer a diplomacia internacional”. Mérito que aínda está por ver, na medida em que tem fracassado em todos os seus intentos até o momento: Corea do Norte, Iran, Palestina e Venezuela.

Contudo, Obama estará na boa companhia doutros ganhadores do Prémio Nóbel da Paz: Nelson Mandela, um terrorista que bombardeou ao seu próprio povo para obrigá-los a rechazar os Bantustáns em Suláfrica e confrontá-los com os brancos. Ou Arafat.

Afortunadamente, também cabe a possibilidade de que Obama sega os passos doutro ganhador do Prémio Nobel da Paz, Yitzhak Rabin.

09/10/09

05/10/09

A MENINA DE ROBERT CAPPA



Numa célebre fotografia de Robert Cappa, tomada em 1949, uma pequena em harapos chora diante dumas tendas de campanha em pleno deserto. Como este documento gráfico forma parte duma série intitulada “Campos de refugiados em Palestina”, a maior parte dos arquivistas acreditam aínda que se trata duma refugiada árabe. De facto, Cappa e a maior parte dos seus colegas utilizavam indistintamente, nessa época, os termos Palestina e Israel. A cena desenvolve-se em Israel, não em Cisjordânia ou Gaza. A rapariga é uma refugiada judia. Originária dum país árabe.

A finais dos anos quarenta, mais dum milhão de judeus viviam nos países do Islám, desde o Magreb até Afeganistão: mais de 600.000 no Magreb e Líbia, perto de 150.000, respectivamente, em Turquia e Iran, 100.000 no Egipto e no Yemen, 60.000 em Síria e no Líbano, 40.000 em Afeganistão. Esta população - Edoth ha Mizrah em hebreu, « Comunidades do Oriente», praticantes maioritariamente de ritos sefardis- tiveram um forte crescimento demográfico nos anos 60, depois dum crescimento mais moderado: multiplicaram-se por mais de três em 60 anos, e constam actualmente com 4 milhões de almas. Mas já não residem nos seus países de orige: apenas ficam de 3.000 a 4.000 judeus em Marrocos, alguns centos em Tunísia, 20.000, respectivamente, em Turquia e Iran, alguns centenares em Síria e no Yemen. Quer dizer: 0 3% ou 4% da cifra originária. Os demais, mais do 95%, têm partido ao exílio, em oleadas sucessivas ou simultâneas. As duas terzas partes de eles têm-se refugiado no Estado de Israel. A outra terza parte tem-se instalado em Europa –especialmente na França, Itália e a Grande Bretanha-, mas também nos EEUU, Canadá, América Latina, a África subsahariana ou em Austrália.

Afirma-se habitualmente que esse éxodo foi conseqüência indesejada do conflito árabe-israeli, e que a expulsão de judeus foi seguida, seguindo a lei do talião, pelo dos árabes palestinianos. Na realidade, a expulsão das Comunidades de Oriente comezou antes da fundação do Estado de Israel em 1948. E tal como têm sinalado Laurent e Annie Chabry em “Política e minorias no Meio Leste” (Maisonneuve et Larose, 1984), um dos livros mais incisivos sobre a questão, isso sucedeu no quadro dum “efecto pêndulo” geopolítico que permitiu à maioria muçulmã, impulsada por um rebrote demográfico, “vingar-se” da emancipação e do ascenso social que beneficiara às minorias não muçulmãs, grazas à protecção occidental, tras o século XIX. Os cristãos sofriram uma longa série de tragédias, desde o genocídio amênio até o genocídio asírio, daquele à perseguição dos coptos, das atrozidades de Dammour à velada limpeza étnica dos cristãos em Cisjordânia tras a posta em prática, a partir de 1994, da Autoridade Palestiniana. Os judeus não têm ficado atrás. Em quase todos os países muçulmãos, padeceram distintas formas de violência (incluíndo progromos), encarceramentos e perseguições. Os Governos adoptaram medidas legislativas ou regramentárias encaminhadas a acelerar o seu éxodo –mas também a confiscar os seus bens. Nalguns países –e não precisamente os menos- as autoridades cooperaram depois de 1948 com as organizações sionistas ou o Governo de Jerusalém a fim de transferir directamente a sua população judia a Israel.


Passados alguns anos, muitos judeus originários de países do Oriente, consagraram a data do 1 de Junho (5 de Sivan no calendário judeu) à comemoração da sua expulsão. Efectivamente, foi no 1 e 2 de Junho de 1941, momento da Festividade de Shavuot e sete anos antes da fundação do Estado de Israel, que uma das comunidades mais antigas, numerosa e próspera do mundo árabe –a Comunidade de Irak- sofreu um progromo sem precedentes, o Farhoud, comprendendo imediatamente que não tinha já um porvir naquele país.

Quantificam-se em perto de 150.000 os judeus de Irak a comezos dos anos 40 –o 3% da sua população total, então estimada em 4’5 milhões de almas. A metade de eles viviam em Bagdad, de 20 a 30.000 no Kurdistão, e perto de 50.000 no resto do país. Contavam com elites anglófonas tras o século XIX, o que lhes fixo gozar da confiança do primeiro soberano do recém criado país, o rei hachemita Faissal ibn Hussein. Numerosos judeus eram chefes de empressa, engenheiros, advogados, banqueiros, altos funcionários. Alguns eram deputados, senadores e inclusso ministros. Outros eram escritores, jornalistas e músicos. Mas a situação começou a degradar-se em 1933, quando Ghazi Ier, playboy aficionado aos uniformes de gala, os automóveis velozes e os aeroplanos, sucede a Fissal. O novo soberano acredita que consolidará o seu trono se se apoia no nacionalismo árabe e no islamismo, assim como se aproximando à Alemanha hitleriana, multiplicando as medidas contra os não-muçulmãos. Morre em 1939 num misterioso accidente de tráfico. Mas o extremismo, e o seu corolário o ánti-semitismo, já estám instalados no coração da vida política iraki.

Em Marzo  de 1941, um político pro-alemão, Rashid Ali al-Ghaylani, trata de impôr uma nova ditadura. Quando os britânicos o derrocam, três meses depois, o “Farhoud” (“Grande Saqueo”) sacude Bagdad durante dois dias, o 1 e 2 de Junho. Semelha ter sido minuciosamente organizado durante as últimas semanas do regime de Rashid Ali, que pretendia quizá preparar desta maneira a entrada oficial de Irak na guerra posicionando-se com as forças do Eixo. As residências e comércios judeus foram marcados com uma mão vermelha, e unidades de progromistas, encabezados por militares e estudantes membros da organização pro-názi Al-Futuwwa, controlavam cada bairro da capital; vários destes distritos foram saueados e incendiados. Perto de 200 judeus foram assassinados, mais de 2.000 feridos ou mutilados, centos de mulheres e meninas violadas.

Em 1947-1948, Irak toma parte na primeira guerra contra Israel, apesar de não terem fronteiras comuns. Em Marzo de 1950, uma lei especial permite aos judeus emigrar, a condição de renunciar à sua nacionalidade e abandoar as suas propriedades: as próprias autoridades cooperaram a tal fim com os israelis. Perto de 90.000 marcharam em menos de um ano, através de diversas pontes aéreas. Em Janeiro de 1951, uma cadeia de atentados provocou o éxodo de 30.000 judeus mais. O resto partiu ao exílio nos anos 60, tras a caída da monarquia. Mais do 90% dos judeus de Irak acharam refúgio em Israel. O resto instalou-se na Grande Bretanha e nos EEUU.

A mesma situação se repetiu do Atlântico a Pamir, na Ásia Central. Caberia falar dum “intercâmbio de populações” global entre o mundo islâmico e Israel. Só há uma objecção: a iniciativa foi unilateral por parte do primeiro; e, para além disso, os refugiados judeus integraram-se, ao cabo dos anos, no seio da sociedade israeli.

Mentres, os refugiados árabes têm perpetuado a sua situação como tais, com finalidades políticas e estratégicas mais que evidentes.


MICHEL GURFINKIEL

ESQUERDA E IDIOTAS ÚTEIS


Já por várias vezes tenho defendido a tese de que a mal disfarçada simpatia da esquerda ocidental com o islamismo e os fenómenos ditatoriais do nosso tempo, desde Castro a Chavez, a par do cada vez mais gritante anti-semitismo, disfarçado de “anti-sionismo”, busca raízes no próprio âmago das ideologias que brotaram do marxismo, nomeadamente no ódio visceral ao capitalismo e à cultura e civilização que lhe estão associadas. A nível filosófico não é difícil demonstrar esta tácita aliança.


Mas também é verdade que a generalidade das pessoas de esquerda conhece tão bem as “teologias” socialistas e comunistas, como a generalidade dos católicos conhece os meandros da doutrina em que acredita. Ou seja, mal.

É aliás por isso que tanta gente vota no Bloco de Esquerda. Pura e simplesmente não sabem o que é o trotskismo, nunca ouviram falar da 4ª Internacional e votam por simpatia, porque o “Louçã fala bem” e “diz as verdades”.

Assim sendo, não é por fanatismo ideológico que as pessoas de esquerda, de um modo geral, tomam partido pelos islamistas, pelos palestinianos, pelos imigrantes, por Chavez, etc, contra os “poderosos”, os judeus, os americanos, etc.

A razão fundamental é aquilo que Lenine identificou como a psicologia do “idiota útil”, aquela pessoa que é basicamente um "emo", que está sempre do lado daqueles que percebe como mais fracos, seja qual for a solidez ética e moral da sua posição.

Para esta gente, os que se apresentam como fracos têm sempre razão. A fraqueza é sinónimo de virtude. Falta-lhes portanto uma bússola moral.


Não são cínicos…é gente geralmente bem intencionada, que quer fazer o bem, cujo coração sangra genuinamente. O problema é que, numa dada situação, não são capazes de identificar correctamente onde está o bem e o mal.
Daí o recurso imediato à grelha marxista das dicotomias maniqueístas: o fraco é o bom, o palestiniano é o bom, o pobre é o bom, o africano é o bom, o proletário é o bom. Os maus são automaticamente os ricos, os fortes, os brancos, os burgueses, os ocidentais, os capitalistas, os judeus, etc.

É esta confusão moral que os leva a estar do lado dos ditadores, desde que estes sejam contra o Ocidente. Se são contra o Ocidente, então são “bons” e nas suas cabeças não entra facilmente a consequente dicotomia entre os tais “bons” e o seu próprio povo oprimido. Por isso ignoram-na.

O conflito israelo-árabe, ilustra bem esta tese. No início Israel era a parte fraca, atacada por milhões de árabes façanhudos. O povo de esquerda estava com Israel, porque quem tinha os carros de combate eram os árabes e, por isso, não podiam ser os “bons” nem ter razão.

Hoje são os israelitas que têm F-16, ao passo que os árabes da Palestina têm “só” Kassans e Katiushas. Isso basta para demonstrar que os “culpados” são os israelitas e que nenhuma razão lhes assiste.

Não é que esta gente de esquerda seja ideologicamente anti-semita. Eles próprios o negam e fazem-no com sinceridade. São simplesmente naives e falhos de capacidade de julgamento moral. Também não são ideologicamente totalitários, e negam sinceramente que tenham alguma agenda similar a Fidel Castro, a Chavez, etc.

Acabam por ser objectivamente anti-semitas e apoiantes do totalitarismo, apenas porque são “idiotas”, no sentido que Lenine dava ao termo.




ASSASSINAR E MATAR SEGUNDO O JUDAÍSMO




Entre os Dez Mandamentos, dois cumprem ser analisados claramente aparte. Todos os demais vam referidos exclussivamente aos judeus: não codiciar a mulher doutro judeu, ou dar falsa testemunha contra ele, etc. Mas dois dos mandamentos são aplicáveis aparentemente a todo o mundo. Não assassinarás e não roubarás.

Os rabinos sugirem que o roubo em questão refere-se ao que actualmente entendemos por seqüestro. A sua lógica, embora não necessariamente certa, é coerente: pressumivelmente, a violação de qualquer dos Dez Mandamentos constitui um crime capital, mas o roubo habitualmente não é castigado com a morte, e portanto esse mandamento debe ir referido mais bem a um tipo específico de roubo, o único penável com a morte –o seqüestro. Poderia-se argumentar, deste modo, que contrariamente ao hurto, o roubo põe em perigo a vida do que o perpetra. Poderia ser morto legalmente se entra numa casa pela noite ou a sua vítima percebe uma ameaça de morte. Mas trate-se de seqüestro ou de roubo, o mandamento só é aplicável aos congêneres judeus: explicitamente no primeiro caso, implicitamente no segundo. Sem dúvida, só é factível roubar aos vizinhos, e não aos que vivem em nações distantes –e a Torá concebe uma sociedade na que os únicos vizinhos arredor sejam judeus. Roubar às nações distantes só é imaginável como parte duma guerra (uma guerra pela que se opta, mais que uma guerra obrigatória), e a Torá não só o sanciona senão que o recomenda.

No relativo ao assassinato, a Torá escolhe cuidadosamente uma palabra distinta a “matar”. Só o assassinato está proibido, não matar genericamente. A palabra hebrea para “assassinar” é uma desinência raíz relacionada com “procurar, desejar”. Assassinar é um acto apassionado, mentres que matar é algo de necessidade ou justiza. Estamos autorizados a matar animais para comer, mas não a assassiná-los na prática da caza recreativa. Não existem restricções à hora de matar inimigos e criminais. Como o resto dos Dez Mandamentos, a proibição do assassinato (passional) só é aplicável entre judeus, porque as passiões só se dam a nível individual, como fenômeno intra-grupal; hoje em dia, não odiamos já aos alemães. Em nenhuma parte da Bíblia aplica-se a palabra “assassinar” referida a outras nações; semepre denota um acto acaecido no entorno do mundo judeu.

A Torá não regula o trato a dar às nações inimigas. A piedade está permitida num só caso: à mulher capturada a uma nação inimiga deve-se-lhe permitir o luto durante um mes pela sua família antes de ser submetida ao homem que a tenha capturado. O caso é eloqüente: é digna de piedade porque vai casar com um judeu e, portanto, converter-se em judia. Não entro a valorar se é bom matar civis inimigos; do que se trata é de que a Torá não põe objecção alguma a fazê-lo. Logicamente, não tudo está pormenorizado na Torá: limpar os dentes é bom, mas não o põe em sítio algum da Bíblia. Ora bem, agardamos que as proibições morais mais significativas si que figurem no Livro. Aínda mais, a Torá ordea aos judeus muito especificamente que matem a todos os varões adultos inimigos. Isto não implica a presumpção de que todos os varões da população inimiga vaiam lutar contra nós: as mulheres freqüentemente ajudam na defesa, mas não são matadas, mentres que os ancianos, que carecem claramente da fortaleza física para participar na defesa, sim que são mortos sem problema algum. O critério clave é, portanto, se os supervivintes podem ser assimilados ou não pela nação judia.


Nisto, como em tudo, a Torá está no certo. A proibição actual de matar civis inimigos é absurda –para além de que nunca tem sido observada. Seria muito singelo apelar ao exemplo do bombardeo massivo sobre Dresde, onde justiza e vinganza mesclaram-se intimamente, embora com lamentável insuficiência. Consideremos um exemplo muito mais contundente: os israelis matando mulheres e rapazes árabes, como temos feito em muitos episódios. Não como dano colateral dos raids aéreos, senão como objectivo primordial e dum modo do que alguns preferiredes não ter que lêr. E o que é mais interessante: os judeus que o figeram –ao igual que os que têm fusilado prisioneiros de guerra- seguem levando vidas absolutamente normais. Igual que imagino que os ántisemitas europeus quando regressavam dos seus criminais progromos chegavam a casa e se comportavam como decentes pais de família. Porém, se observades aos assassinos e os criminais comuns, geralmente, são pessoas com caracteres degenerados.

Isto é precisamente o que a Torá nos diz: os seres humanos estám submetidos à proibição intrínseca de assassinar aos seus vizinhos. Pode que seja uma proibição endével, mas está aí desde sempre. É um rasgo evolutivo: nenhuma sociedade pode tolerar que haja assassinos no seu seio. Sem embargo não sucede o mesmo com o facto de matar pessoas alheias: não existe nenhuma razão evolutiva para reprimir-se nesse sentido. Na competição inter-grupal, eliminar estrangeiros é um patrão de conduta beneficioso. Quanto mais fazilmente a gente se despoja da sua falsa moralidade e mata estrangeiros a instâncias do seu Governo, mais em evidência fica o ánti-natural da proibição de matar. A sua volta à normalidade em apenas uns dias –às vezes em poucas horas- depois de matar, confirma a ausência de qualquer conflito moral.

Moisês –não D’us- mandou aos judeus matar aos seus familiares que adouraram o becerro de oiro. Ostensivelmente, é dificil cair mais baixo que matando aos próprios familiares. Sem embargo, Moisês dixo-lhes que contavam com a sua benção. Matar por uma boa causa não fica imune de condeia, mas pode ser um rotundo logro moral.

Não é possível reemprazar a Torá com as Convenções de Genebra.


OBADIAH SHOHER

ECONOMIA DO SEQÜESTRO


Rauda Habib, uma das terroristas palestinianas posta em liberdade a câmbio do vídeo de Shalit, fixo um chamamento a Hamas durante uma rolda de imprensa a que seqüestre a mais israelis.

Israel reprimesse de libertar pela forza a Shalit porque teme que haja uma emboscada preparada e que seja assassinado no momento em que as tropas de asalto o vaiam libertar. Centenares de soldados israelis arriscaram as suas vidas para deter ao milheiro de terroristas palestinianos que serão entregados a câmbio de Shalit. Mas para os mass media a vida do cabo é mais importante que a de todos esses soldados.

04/10/09

POLANSKI



É comovedora essa gentinha que não pode deixar de ouvear e ladrar desde há semanas sobre o desagradável incidente no que se viu envolto o director de cinema judeu, Roman Polanski, há 32 anos. Curiosamente, são os mesmos que calam como mómias à hora criticar a toda uma religião com centos de milhões de seguidores chamada Islám, que é a maior promotora da tortura infantil e a pedofília em todo o planeta. De modo cotidiano.

O próprio Profeta Mahoma casou com Aisha, uma criança de seis anos, e disque consumou o matrimônio quando esta cumpriu os nove –pondo, de passo, a pedra angular para a justificação da violação infantil sistemática e a pedofília no Islám até o dia de hoje.

Cada novo dia trai-nos centenares de relatos de terror sobre abuso de rapazas menores de idade, desde Pakistão até Marrocos. Todos os relatos que queiram os ántisemitas de “El País” e os escandalizados progres de Eurábia. Não um incidente isolado de há mais de 30 anos, não: um sistema institucionalizado de violação de mulheres que atinge a milhões de rapazas. Neste mesmo momento, mentres ledes estas linhas.


Os EEUU e os países europeus mantêm muito boas (e lucrativas) relações com estes países onde a pedofília é algo legal –e da que semelham não ter nada a dizer. São os mesmos hipócritas -e cobardes- que promovem a cruzada contra Geert Wilders. Ou os que intentaram reduzir imisericordemente a Oriana Fallaci por todos os meios. Nem sequer os vociferantes grupos fiministas –aos que também lhes resbalam outras violações dos direitos humanos das mulheres no Islám, como a ablação de clítoris, a obriga no uso do burka, etc- se atrevem a abrir a boca.

Só lhes escandaliza o judeu Polanski.


SOPHIA L. FREIRE

AHMADINEYAD NÃO PODE IMIGRAR A ISRAEL



O Telegraph confirmou a informação dum internauta iraniano que foi arrestado por dizer que Ahmadineyad é um judeu converso.

O jornal oferece uma fotografia amplada de Ahmadineyad com o seu cartão de identidade, onde se amosa o seu nome anterior, Sabourjian, que sem dúvida é de orige judia. É um grande varapáu para as agências de inteligência não terem descoberto antes uma informação tão perjudicial para o Presidente iraniano.

Como converso a partir do judaísmo, Ahmadineyad não tem direitos de imigração sob a Lei de Retorno israeli.

A conduta de Ahmadineyad, contudo, não é nada novidosa. Muitos antigos judeus, incluíndo os do Jstreet e os energúmenos de Paz Agora, são igualmente uns incorregíveis judeófobos.

INFORME GOLDSTONE: A NOVA LEI INTERNACIONAL





O Informe Goldstone encobre uma ameaça esquerdista para os Governos que emprendam uma guerra. Aplicando a lei comum aos tempos de guerra, qualquer exército poderá ser perseguido penalmente. Dado que os crimes contra a humanidade não têm um estatuto que marque os seus limites, os pilotos Aliados podem ser levados ante O Tribunal Penal Internacional por terem bombardeado as cidades da Alemanha názi.

Ao rematar a 2ª Guerra Mundial, os juristas internacionais aínda eram razoáveis. Os Juízos de Nuremberg processaram àqueles que foram responsáveis a grande escala, deixando que os tribunais alemães encausassem os crimes de guerra individuais. Esse equilíbrio legal foi sobretudo sensato porque passou por riba dos crimes individuais centrando-se na criminalidade de conjunto da empressa bélica. O raseiro da criminalidade imputável aos Governos era muito elevado: só as atrozidades inqualificáveis consideravam-se dignas de condeia. Aspectos como os escudos humanos, a reducção de ajuda, a restricção dos direitos humanos, e os castigos colectivos não letais eram ignorados. Certamente, quando uma guerra é genocida, todos esses tecnicismos são insignificantes, e se a guerra está justificada, esses incomodos são algo inevitável. Em ambos casos, investigá-los a um macronível internacional é absurdo.

Só depois de que o tribunal internacional  estabelecesse o propósito de criminalidade global na guerra emprendida pelos alemães, os tribunais nacionais começaram a investigar lenta e concienzudamente os crimes de índole individual. Agás num punhado escaso de incidentes, os Aliados não perseguiram os seus próprios crimes de guerra –devido à aplicação da justiza dos vencedores, sem dúvida, mas também porque só se tratara de incidentes isolados, às vezes justificados pela necessidade militar, como os bombardeos de saturação ou o fusilamento de prisioneiros de guerra quando o seu encarceramento resultava impossível.


Em grande medida o fim justifica os meios. Podemos condear a um ladrão de bancos de modo genérico, mas não quando carece doutra alternativa para alimentar à sua fomenta prole. O bombardeio britânico de Dresde não tem nada a ver com o bombardeio názi de Coventry.

Os soldados não são autómatas. Fazer a guerra é algo tão diferente do que é a vida civil que lhe aplicar as normas de criminalidade vigentes em tempos de paz é um completo sem sentido. Os Estados induzem deliberadamente o ódio contra o inimigo mediante a propaganda, e são inadmisíveis as lágrimas de cocodrilo quando os soldados agem de modo coerente com esse ódio inoculado.

Os direitos humanos deveriam ser algo natural, mas a sua restricção em tempos de guerra é algo não menos natural. Aplicar o mesmo estándar de direitos humanos aos pacífico Medio Oeste dos EEUU que à zona de guerra total do Meio Leste asiático é descabelado –especialmente quando ditas resytricções são efímeras. A maioria dos teóricos da guerra reconhecem que a doutrina do duplo efecto só protege a vida dos civis, mais que a sua propriedade ou dignidade. Seria irreal agardar que um país que se sinte atacado até o extremo de emprender uma guerra, arriscasse a vida dos seus soldados, e investisse amplos recursos materiais, para proteger as casas e outras propriedades que pertencem aos votantes e contribuíntes do Governo inimigo. Inclusso a própria dissociação população/Governo é produto dum idealismo comprensível numa forma de Estado monárquica, mas não numa democracia responsável onde a gente elige aos seus Governos e são responsáveis das suas acções. É impossível levar a cabo uma guerra sem infligir danos substanciais à população, tanto como dados colaterais dos ataques contra possíveis (mais que, como Goldstone propõe, “prováveis”) objectivos militares, como praticando o aviso deliberado à população para adverti-la de que deixe de apoiar ao Governo hostil. Embora Goldstone a censure, a doutrina da pressão é perfeitamente compatível com o estándar do duplo efecto.


A linha vermelha é: as guerras não podem conduzir-se com os métodos que usa a polícia para que se cumpram as leis domésticas. Não existe forma de individualizar aos francotiradores nas áreas urbanas. Muitas fábricas producem bens de doble uso que ajudam ao esforzo bélico inimigo indirectamente, como mínimo –inclusso o mero pago de impostos. As instalações (aparentemente) civis devem ser destruídas também para machacar quanto antes ao inimigo. Inclusso quando os francotiradores individuais e as fábricas puideram ser perfeitamente identificadas, não se considerou aceitável atacá-las com munição inteligente; Israel gastou mais de 2 milhões de dólares por cada palestiniano abatido na guerra de Gaza –muito mais do que o Governo destina ao Ministério de Sanidade israeli para salvar a vida dos judeus.

Os crimes de guerra têm sido apresentados como algo egrégio fronteirizo com a atrozidade. Como a Corte Suprema israeli dixo tras a debacle de Kfar Qasem [nota: aldeia na que morreram 40 árabes em 1956], “a marca distintiva duma orde manifestamente ilegal é que sobre uma orde tal sobrevoa, como uma bandeira negra, um aviso que diz: ‘Proibido!’”. Sem embargo, nenhuma conciência humana se vê comovida por sucessos como os que Goldstone qualifica de “crimes de guerra” –é impossível levar a cabo uma guerra respeitando àqueles que a promovem.

Seis décadas atrás, quando a jurisprudência militar aínda não fora tomada ao asalto pelos idealistas progres, um tribunal dos EEUU absolveu aos názis do pretendido “crime de guerra” que teria suposto o asédio de Leninegrado, que deixou centos de milheiros de civis mortos. Dacordo com a cruel lógica da guerra, promover a fome massiva na população inimiga era uma táctica militar legítima. As convenções de Genebra moderaram essa doutrina um pouco para permitir que chegassem alimentos às mulheres e crianças. Mas, quem pode assegurar que os alimentos não rematarão no buche dos aguerridos soldados? Tras contrastar a óbvia falha de sentido prático de tal proposta, em 1977 os esquerdistas cambiaram a lei drasticamente proibindo promover a fome como método de guerra. Seguindo esse razoamento, todas as guerras havidas na história da humanidade têm sido ilegais.


Goldstone baseia as suas cusações em dois enfoques contraditórios. A fim de condear a Israel pela suposta fome induzida nos gazenhos, qualifica o conflito de ·guerra internacional” (para assim poder julgá-lo sob a jurisdicção das convenções de Genebra). Mas no mesmo informe, denuncia a ocupação israeli da Gaza sem Estado –o que reduz o tema da fome induzida a um assunto doméstico de Israel, onde as convenções de Genebra não são aplicáveis.

Toda vez que a proibição absoluta de reduzir mediante a fome aos civis reside em sucessivos protocolos mais que nas Convenções de 1949, a potestade do Tribunal Penal Internacional no assunto é mais que duvidosa. A Corte Extraordinária instituída no caso de Camboia, por exemplo, tinha um mandato explícito para entender das graves infracções das Convenções –mas não dos protocolos. A diferença não é menor, dado que os protocolos tinham mais a consideração de declarações bem intencionadas que de lei.

Aínda mais, a perseguição sob a 4ª Convenção só é possível se a fome está directamente relacionada com o conflito armado internacional. Dificilmente é este o caso, dado que tanto Egipto como Israel limitaram o acceso de convóis a Gaza antes de que comezasse a guerra dos Qassam. As restricções começaram com o seqüestro dum soldado israeli –o que foi considerado mais um acto de seqüestro como tal que como a toma dum prisioneiro de guerra, assim só fosse porque não tem sido tratado como prisioneiro de guerra nem capturado por um exército reconhecido como tal. Cobra forza o argumento de que as restricções de Israel contra Gaza não têm relação com um conflito armado, senão mais bem com um conflito intra-estatal.

Não há via judicial para interpretar a 4ª Convenção de Genebra como criminalizadora das restricções da livre circulação de comida a um território asediado. A Convenção detalha vários crimes, mas não menciona as restricções de fronteira entre eles. A omissão é deliberada: é inconcebível que qualquer exército em combate consinta o livre movimento de bens pretendidamente humanitários na zona de guerra. Inspeccionar todos e cada um no fragor da batalha ou permitir só os envios dirigidos a civis é materialmente impossível, na medida em que só serviria para fortalecer ao inimigo.





As alegações de “genocídio” em Gaza são semelhantemente infundadas. A lei de genocídio não tem aplicação aos grupos sociais ou políticos por uma razão: as acções contra eles são militar ou politicamente inevitáveis, e carecem da brutalidade sem sentido de querer destruir uma étnia, ou um grupo nacional ou religioso. Claramente, Israel não pretende aniquilar centos de milhões de árabes ou muçulmãos, nem na sua totalidade nem em parte. Mire-se como se mire, é rotunda a evidência de que Israel não procura a destrucção dos árabes como grupo nacional.

Sabedor da debilidade dos cárregos de “genocídio”, Goldstone dá um rodeo à excepção do “grupo político ou social”, falando de “crimes contra a humanidade”. Resultaria-lhe dificil argumentar que Israel trata de matar aos gazenhos como grupo político, quando de facto a população de Gaza incrementou-se em mais de seis vezes nos últimos 40 anos. O estatuto do Tribunal Penal Internacional aclara que a privação de alimentos só constitui um crime contra a humanidade se “está calculada para destruir a toda ou a uma parte da população”. Dada a ausência de mortes por inanição, tal cálculo não teve lugar. Goldstone prefire ignorar que a ONU enviou a Gaza todo quanto envio de alimentos quixo, até o ponto que de ter-se produzido uma fome massiva, Israel não teria sido responsável.

Nos tribunais de Camboia e Ruanda, a inanição por fome só foi contemplada como um meio de morte a grande escala. O intento de Goldstone de rebaixar esse estándar para criminalizar uma fome que só provocou sofrimento, mas não morte alguma, não se apoia na legislação internacional, e será dificil que seja algum dia adoptado, na medida em que criminalizaria os boicotes e sanções mesmos.

Israel perjudicou-se a sim própria quando etiquetou a Operação como ánti-terrorista, mais que como de guerra. Fomos atacados por um Governo Palestiniano cujo Parlamento apoiou de modo unânime destruir Israel. Urante a guerra, o Governo Palestiniano utilizou recursos públicos: polícia e milñicias governamentais, impostos, hospitais e esforzos diplomáticos. Não se tratou duma operação ánti-terrorista do tipo das que a Grande Bretanha livrou contra os terroristas do IRA.

Mas não só isso. Israel causou um grave perjuízo a outros exércitos estabelecendo um novo e elevadíssimo paradigma de ser cuidadosa com a população inimiga: avisando-os de que fogissem mediante chamadas telefónicas. Os estadounidenses figeram algo semelhante em Viet-Nam, onde distribuiam panfletos antes dos ataques –política que contribuiu decisivamente à sua falha de ineficácia nessa guerra. Israel levou essa táctica até o extremo: mentres os norteamericanos destruiam vilas vazias, Israel nem sequer destruiu os distritos previamente vaziados, senão que se limitou a rastreá-los durante o combate urbano. Em pouco tempo ninguém lembrará que Israel esteve livrando um minúsculo conflito em Gaza, mas comezará a exigir-se a aplicação dessses novos estándards nas guerras a grande escala.

Fica por ver se o sentido comum trunfa sobre o idealismo, ou se são os progressistas os que trunfam maniatando aos exércitos occidentais, pondo-os assim em igualdade de condições com as bandas terroristas.


OBADIAH SHOHER